Pessoas T

Pessoas T

da marginalização aos espaços de destaque

Acabar com o estigma e as estatísticas crueis de violência, preconceito e falta de oportunidades que marcam a vida de transgêneros e travestis passa pela informação e representatividade

Desde novo nunca me senti uma menina, sempre me vi como homem e, por isso, sofri muito na escola, com apelidos como: machão, Maria macho, coisas do tipo.

Linha pontilhada curva
Diamante pontilhado
Linha pontilhada curva

Uma vez a professora chamou meu pai e mandou ele me levar na psicóloga falando que eu não era normal porque só queria saber de

‘coisas de menino’

Linha pontilhada curva
Linha pontilhada curva
Linha branca

Eu morava na roça e não sabia nem que existia a transexualidade.

Sublinhado rabiscado

Aos 13 anos cortei meu cabelo e mesmo assim

não era reconhecido como homem,

só fui entender o que estava acontecendo comigo quando fiz 17 anos:

que sou homem trans

e tenho gênero ambíguo.

Essa é a história de Alexsandro Abreu Cheib, de 23 anos,

mas poderia ser o de centenas de milhares de pessoas transexuais em todo o mundo.

A dificuldade em se compreender passa, primeiramente, pelo desconhecimento e, depois, pelo medo do preconceito.

– Alexsandro Abreu Cheib

O medo e o preconceito se justificam nos dados temerosos registrados no país.

A cada 10 assassinatos de pessoas trans no mundo,

quatro ocorreram no Brasil.

Seta curva
Sublinhado rabiscado

Os dados do Transgender Europe (TGEU) mostram que o Brasil, pelo 13º ano consecutivo,

se mantém no topo vergonhoso do ranking como o

país que mais mata pessoas trans em todo  o mundo.

das mortes são de mulheres trans.

das mortes foram cometidas com armas de fogo.

As mulheres trans e travestis são as principais vítimas:

96%

38%

20%

por esfaqueamento.

Muito dessa violência contra as mulheres trans se explica porque

90% da população de travestis e mulheres transexuais utilizam a prostituição como fonte de renda

devido à falta de oportunidades no mercado de trabalho.

Se por um lado o Brasil é o país mais violento contra as pessoas trans,

por outro é o que mais consome pornografia trans no mundo.

Ponto circulado
Ponto circulado

Apesar da violência, do preconceito, da sexualização e da falta de oportunidades profissionais, as pessoas trans têm,

não sem muita luta,

conseguido romper os lugares de marginalização para alcançar a representatividade.

Em São Paulo, a vereadora Erika Hilton (PSOL)

foi a mulher mais bem votada em  todo o país

e se tornou a primeira 

eleita para a Câmara Municipal paulistana.

TRANS 

A capital paulistana também elegeu o vereador trans

Linha ondulada amarela

Tammy Miranda (PL).

Crédito: Getty Images

Duda Salabert também fez história em Belo Horizonte ao se eleger

a primeira trans

da Câmara Municipal,

além de ser a vereadora eleita com mais votos na cidade.

Linha ondulada amarela

Crédito: arquivo pessoal

Outros 24 municípios do país também elegeram vereadores e vereadoras trans.

Trilha tracejada
Trilha tracejada
Trilha tracejada
Linha pontilhada curva
Linha pontilhada curva

No entretenimento, MJ Rodriguez se tornou

a 1ª atriz trans a ganhar Globo de Ouro

por sua interpretação na série Pose.

Crédito: Getty Images

A atriz Laverne Cox é apontada como uma das grandes pioneiras desde seu papel como Sophia Burset, em Orange is the New Black”, em 2013.

Ela se tornou a  primeira atriz transexual a ser indicada ao Emmy e estampou a capa da revista Time.

Crédito: Reprodução Marvel

Se as produções culturais são um caminho importante para levar informação e ajudar a superar o preconceito ao permitir contar histórias mais humanizadas, o Brasil caminha a passos lentos.

No país, os papéis destinados à população trans ainda são raros ou estereotipados.

Apenas em 2019 uma mulher trans conseguiu vencer a tradicional premiação Melhores do Ano, do Domingão do Faustão.

Ponto circulado

O prêmio foi conquistado por Glamour Garcia, que interpretou Britney na novela “A Dona do Pedaço”.

Crédito: Reprodução Globo

o Big Brother Brasil.

A cantora Linn da Quebrada acabou com um hiato de 11 anos

desde a última (e única) participação de uma representante da população trans num dos programas de maior audiência da TV aberta do país:

Crédito: Reprodução Globo

Antes  dela apenas Ariadna Arantes havia participado do programa que tem mais de 20 edições.

Diamante pontilhado

Crédito: Reprodução Globo

“Vou sofrer preconceito o resto da vida, mas espero que as próximas gerações não sofram.”

– Lea T, modelo.

Raphaella Caçapava

Reportagem

Edição

Gabriel França

Seta

Fontes

Antra RedTube TGEU