LÍDER YANOMAMI DENUNCIA ATAQUE DE GARIMPEIROS A CRIANÇAS INDÍGENAS EM RORAIMA

O vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY), Dário Yanomami, denunciou nesta sexta-feira (18) um novo ataque de garimpeiros à comunidade de Palimiu, em Roraima. Os alvos foram dois jovens e seis crianças indígenas que que estavam pescando na região quando foram atacados. A HAY enviou um ofício à Funai, Polícia Federal, Exército e Ministério Público pedindo providências.

“Dois jovens e seis crianças yanomami de aproximadamente 11 anos estavam pescando no rio Uraricoeira, próximo à comunidade Tipolei, quando um barco com cinco garimpeiros armados se aproximou”, diz a HAY no ofício às autoridades. “Os garimpeiros aceleraram contra os Yanomami e bateram com o barco na canoa deles, fazendo com que os indígenas caíssem na água e a canoa afundasse. Os jovens e crianças conseguiram fugir pelo rio e pela mata, enquanto ouviam os garimpeiros chamando por eles, oferecendo bolachas e alimentos”, diz ainda o documento.

A HAY reiterou no ofício “a urgência para que o poder público atue de forma sistemática e permanente para conter a atividade do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami e garantir a segurança das comunidades”.

O Regra dos Terços já mostrou que o garimpo ilegal tem avançado no Norte do país e causado uma escalada da violência contra povos indígenas da região. Na segunda-feira (19), o Ministério da Justiça determinou o envio da Força Nacional de Segurança Pública para atuar na Terra Indígena Yanomami para conter os ataques.

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Desde junho de 2020, o território Yanomami, em Roraima, tem registrado assassinatos e diversos tipos de ataques causados por garimpeiros que exploram a região. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), cerca de 20 mil garimpeiros vivem e atuam ilegalmente dentro da Terra Indígena Yanomami.

Na terça-feira (15), o líder indígena Dário Yanomami denunciou a falta de segurança na terra indígena, em Roraima, e acusou o governo federal e órgãos públicos de incentivarem o garimpo ilegal. Dario e outras lideranças estão em Brasília desde semana passada em uma mobilização contra a aprovação de um projeto de lei na Câmara que altera as regras de demarcação de terras indígenas e para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para analisar um recurso sobre a tese do marco temporal. 

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