As palavras que habito

“Eu acho isso o que de mais belo as palavras podem proporcionar. Ao mesmo tempo em que algumas delas ferem, outras tantas curam.”

Eu sou toda feita de palavras. Inteirinha, todo o meu ser é composto por letras que, juntas, se transformam em sentenças sinceras que guardo comigo. Às vezes, algo bom se forma, um sentimento, um pensamento, uma ideia, uma concretização. Então, o solto ao vento para saber se irá a algum lugar que não seja perto de mim. É engraçado o quanto não somos mais donos daquilo que nós mesmos criamos. E eu sou assim com as minhas palavras; eu só as crio, nada mais. Não é nada premeditado, elas apenas se juntam e tomam forma, criam vida, por vezes se destroem entre elas mesmas, quando esbarram em algo que as consome por completo. Um medo, indecisão, ansiedade. Um não combina com outro, um não faz parte do outro. O que faz parte de um e de outro são apenas as palavras. As boas e as ruins também, infelizmente.

Sou toda feita de sentimentos, eu até que sinto demais e sinto por isso. Nada que é demais é bom, mas permaneço nos meus dias fingindo para mim mesma que tá tudo bem e que tudo um dia vai passar. E quando estou assim, perdida em pensamentos que sei que não me pertencem, recorro às mesmas palavras que crio em mim. Porém, de outra maneira, pois ao invés de estarem apenas em meu ser, elas também estão presentes no de tantos outros. Eu acho isso o que de mais belo as palavras podem proporcionar. Ao mesmo tempo em que algumas delas ferem, outras tantas curam. A cicatriz nunca fica da mesma maneira, ela sempre se modifica; às vezes reabre, faz casquinha logo em seguida, lateja… acontece.

Tem gente que menospreza o poder das palavras e é até por isso que gosto de enfatizar o contrário. Eu me faço de palavras, sou toda composta por textos, romances, poesias, músicas. Tudo, à sua maneira, me faz ser o que sou hoje. E não vejo problema algum em recorrer às palavras fortes quando me vejo mal, daquelas que arregaçam tudo pela frente mesmo. Acredito que é justamente na força que carregam que a cura se encontra. É bom perceber que não é só você que enfrenta determinadas situações, quem escreveu as palavras as quais você recorreu também enfrentou em certo momento. As vivências e experiências humanas acabam se completando mesmo quando não queremos. Tomamos as dores de quem nos é próximo. Encontramos coragem no corpo que nem é o nosso. A vida tem dessas, é meio esquisito.

Espero que essa essência de ver beleza nas pequenas coisas nunca saia de mim. Tanta coisa já me aconteceu, tantas rasteiras foram dadas, perdi as contas de quantas vezes já beijei o chão. Mas eu sei, lá no fundo pelo menos eu sei, que nada do que aconteceu foi em vão. Todas as ações, os gestos e até as palavras foram colocadas no mundo por alguma razão. Não tem como não prestar atenção nos detalhes, nas infinitas razões que a vida nos dá para viver. De forma intensa, quero dizer. Cada um lida com sua intensidade da maneira que bem entender, mas a minha já nem mais faz parte de mim. Eu não consigo sequer guardar e digerir antes de regurgitá-la aos quatro cantos do beco em que vivo. A minha intensidade já tomou forma própria, se transformou em palavras proseadas que não habitam mais o meu ser. Meu peito não aguentou tamanha responsabilidade de sentir o que ainda sinto, resolveu jogar tudo fora antes mesmo de eu ter conhecimento de todo o sentimento que se fez.

Às vezes eu sinto falta de sentir.
Qualquer coisa; a qualquer momento.

Fale menos para falar mais

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“(…) eu evito de falar – justamente pra não falar demais.”

Eu sempre fui muito daquelas pessoas que não se arrependiam do que era falado. Quando eu percebia que algo precisava ser dito, eu simplesmente ia lá e fazia aquilo. Acreditava que estava fazendo um “bem maior” para todos – para o outro, que precisava ouvir, e para mim, que precisava botar pra fora. Quem dera se todos compreendessem essa lógica irreal, né? Porque é exatamente isso que ela é: irreal. Tem gente que não tá preparada para ouvir o que temos a dizer, ainda mais se for tudo verdade. E, com relação a isso, não há muito o que fazer.

Externar o que se passa dentro da gente é imprescindível, até mesmo para não nos sufocarmos com nossas próprias palavras. E isso é possível, pois qualquer coisa em demasia é excesso – e excesso nunca foi bom. É importante sabermos onde, quando e com quem falar, porque nem sempre uma pessoa x vai estar preparada para encarar determinadas questões da pessoa y. É preciso haver um equilíbrio entre conteúdo e receptor, pois já pensou se não há espaço para mais palavras dentro de um próprio ser? Não há corpo que aguente e não há nada que ajeite isso depois também.

Ninguém é igual a ninguém e são poucas as pessoas que se dispõe a ajudar verdadeiramente alguém próximo. Tem gente que vai te encher o saco sim e que vai dizer as coisas mais infundadas que você irá ouvir em toda a sua vida. Mas, lembre-se, você não sabe o motivo do outro para estar externando aquilo – logo aquilo. Só escuta o que a pessoa tem a dizer e, se mesmo assim nada daquilo fizer sentido pra você, apenas responda o que ela quer escutar. É sério, deixe de dizer as coisas que competem a você para manter o foco no outro. Acredite, quando você faz isso, uma mini-vitória é conquistada. Sabe aquelas que, de pouquinho em pouquinho se transforma em uma baita conquista? Então, bem essas.

Eu tenho essa mania de focar sempre no bom, no melhor. É uma prática complicada, mas que vem surtindo efeito conforme os dias vão passando. E isso é ótimo, porque são em momentos cruciais e decisivos que me dou conta da quantidade de palavras que eu deixo de dizer. O que é difícil, confesso, já que sempre fui uma pessoa de falar e não se arrepender (acho que já mencionei isso aqui, né? Ops). Mas, então, hoje eu sou capaz de ponderar o que digo ou devo dizer. Às vezes dou umas escorregadas, é verdade, mas é bacana ver o quanto cresci em um curto período de tempo. Sempre me saí melhor com as palavras, mesmo. Tanto é que, pra externar isso daqui, optei pela escrita – porque se fosse pra falar, sairia coisa demais e que não daria pra consertar. To evitando em dizer o que vem logo à mente, vai que é algo perigoso, né? Sei que há uma linha muito tênue entre o que é certo e o que é errado, e é até por isso que eu evito de falar – justamente pra não falar demais.

E eu falo, hein… Falo mais do que as pessoas estão acostumadas ou querem ouvir (e é até por isso que finalizo isso aqui).

Caso desista dos seus sonhos, você estará desistindo de você

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“(…) deveria deixar anotado por aí tudo o que sonho, já que anoto todos os pensamentos que me vem à mente.”

A vida é cheia de sonhos. Digo isso porque ela é feita por eles, com-ple-ta-men-te. Não importa se você soltar um “a minha não”, porque eu não acredito. Não tenho nem como acreditar, entende? A vida não seria vida se os sonhos não existissem. As nossas vidas não seriam nossas se nós não insistíssemos em algo. Sabe, aquela vontade de viajar, de ter o próprio carro, de sair da casa dos pais, essas coisas? Então, tudo sonho. E sonho que não é sonhado, é sonho não realizado. E disso eu quero distância, por favor.

Eu sempre gostei de coisas que “crianças normais” (normais?) ou da geração Y normalmente não gostavam – tipo livros. Sempre gostei desse mundo literário, em que eu podia conhecer diversos mundos através das páginas ou criar tantos outros através de outras. Eu sempre tive a chave para a resposta em minhas mãos desde… sempre. E só agora, vinteanosebolinha depois, descobri qual é o meu verdadeiro sonho. Às vezes me pergunto por que demorei tanto para perceber o óbvio. Mas às vezes eu só agradeço por ter percebido isso mesmo.

Aos 17 anos, pessoa nenhuma sabe o que quer fazer da vida – tirando, é claro, aqueles que já nasceram com o dom e meudeus preciso passar em medicina. Fora esses, acho muito difícil mais alguém ter tamanha certeza – mas eu posso estar enganada também. Pois bem, eu me encaixo perfeitamente naquele aglomerado de gente que se pergunta todo santo dia o que é que está fazendo com a sua vida. Sério, queria não fazer parte dessas pessoas, mas eu também sou uma e sou passível de erros. Certo?

A minha vida é cheia de sonhos e, eu não conto, mas aposto que a cada dia eu tenho um novo para acrescentar na lista mental que faço. Erro meu, eu sei, deveria deixar anotado por aí tudo o que sonho, já que anoto todos os pensamentos que me vem à mente. Mas, veja, nem sempre um forte desejo se encontra escondido dentro do íntimo, às vezes é preciso calma e paciência para descobrir o que é que está realmente faltando. Olhe por mim, eu levei praticamente um ano para conseguir compreender toda aquela paixão que pairava sobre minha cabeça e levei mais outro pra tentar me convencer de que era aquilo mesmo que eu não só queria, mas também precisava. E aí, me dediquei, dei a cara à tapa, avisei a todos que iria e fui.

Não me apeguei aos comentários, muito menos às palavras que não eram de motivação. Gente que vai querer derrubar tudo o que você construiu até aqui vai ter aos montes, mas mantenha-se focado naquilo que você quer conquistar. Eu, por exemplo, me mantive nas palavras. Supri delas toda a força que consegui, transformando tudo em outras tantas que precisava externizar. E tudo, no fim, acabou dando certo. Tão certo que passarei os próximos 4 anos rodeada de palavras prontas para serem (des)construídas em diversas outras – assim mesmo, do jeitinho que eu sempre gostei e aprendi a amar.

Inúmeros silêncios

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“(…) há silêncios que realmente falam mais do que qualquer tipo de palavra.”

Me olha nos olhos e diz exatamente o que você quer dizer; o que você precisa dizer. Eu te conheço muito bem, sei que você não é tão bom com as palavras assim, ao menos as que são faladas. Porque nas escritas, bom, sei que você vai bem além se você se permitir. Aliás, essa era a palavra que queria chegar: permitir. Já parou para pensar no quanto a gente deixa de fazer por simplesmente não nos permitir? Então, por que você também não se permite em dizer? Vai, bota tudo pra fora, deixa esse monstro se libertar aí de dentro. Você já o escondeu por tempo demais, deixa que o mundo tome conta dele agora. Por favor.

Eu entendo que você não consegue. Agora. Não consegue agora. Mas eu queria tanto que você acreditasse em você mesmo, assim como eu acredito. Eu sempre acreditei, sabe? Achei que não precisava nem dizer uma coisa dessas nessa altura do campeonato. Eu sei, eu falo muito melhor do que você, é só ter uma brecha que já to contando da minha vida pra quem estiver passando pela rua. Mas será que você não faria nem um pouquinho de esforço pra tentar ser assim também? É claro que não quero que você seja igual a mim, até porque ninguém é igual a ninguém. Mas seria interessante se você tentasse, sabe? Comece treinando em frente ao espelho, olhe pra você, se encare. Fale. Vai ser difícil no início, mas ninguém disse que seria fácil certo? Na verdade, nem é pra ser. A vida tem mais gostinho de vida quando a batalha não é pequena.

Respira fundo, olha aqui, finge que eu sou o seu travesseiro. Aposto que com ele você fala, né? Mas não tem problema, eu posso esperar um tempo a mais só para te ouvir falar também. E eu quero te ouvir falar, ok? A sua voz é tão linda, tão doce, tão suave. Assim como você. Pessoas com o coração grande como o teu devem ser valorizadas e eu só to querendo que você entenda isso. Eu te valorizo, sabe? Desde o dia que você entrou em minha vida, soube te valorizar, porque percebi que você era diferente de todos os outros. Talvez eu nunca tenha te dito antes, mas é que às vezes as palavras faladas também faltam em mim. Irônico, não? Só que eu, ao contrário de você, não desisti, então por isso estou aqui falando e falando e falando de novo.

Lembre-se sempre de que você terá alguém para te ouvir e te apoiar. Lembre-se, também, que independente do horário, do dia ou até mesmo do clima que estiver lá fora, a minha porta estará aberta, assim como os meus braços para te aconchegar da forma mais calorosa que existe. Eu te entendo bem, mas queria que você me entendesse também. As palavras existem para serem jogadas ao mundo. Da maneira correta, é claro, mas mesmo assim, elas merecem ser ouvidas. Então, da próxima vez, tente um pouquinho mais, tá?

Mas, enquanto essa próxima vez não chega, eu continuo aceitando o fato de que há silêncios que realmente falam mais do que qualquer tipo de palavra.